O " Cientistas descobriram que…" descreverá alguns dos principais achados científicos atuais numa linguagem simples. Nossos textos são escritos e revisados por pesquisadores que atuam em diversas áreas do conhecimento.
Por Fabienne Ferreira do Dpto de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC.
Infecções urinárias (IU) são muito comuns em todo o mundo, afetando milhões de pessoas anualmente. Estas infecções são predominantemente causadas por bactérias que habitam o intestino, sendo a bactéria Escherichia coli (E. coli) a mais incidente. Por isso, as IU são mais frequentes em pessoas com vulva/vagina (designadas, neste artigo, por mulheres), uma vez que a entrada do trato urinário (uretra) está bem próxima anatomicamente da região de saída do intestino (ânus), facilitando a migração das bactérias de uma região para a outra. A IU pode ocorrer em qualquer parte do trato urinário, incluindo a uretra (causando uretrite), bexiga (cistite) e ureteres e rins (pielonefrite), conforme ilustrado na figura.
Por Dra. Michelle T. Biz do Dpto. de Morfologia da UFSC
Quem nunca sentiu dor de dente ao morder um picolé?
Embora este tipo de sensibilidade dentinária seja um relato antiguíssimo e um problema frequente na população, o exato mecanismo biológico pelo qual estímulos externos incidindo sobre a superfície do dente estimulam os nervos que estão dentro do dente (na polpa dentária) causando a dor é ainda obscuro, permanecendo no campo da teoria.
Atualmente, a teoria mais aceita é a TEORIA HIDRODINÂMICA: estímulos aplicados à superfície do dente (como o frio) provocam a movimentação de líquido no interior dos túbulos dentinários (Figura 1), que por sua vez estimula, mecanicamente, as terminações das fibras nervosas que estão na polpa dentária.
Por Edroaldo Lummertz da Rocha do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia
O câncer é uma doença complexa, heterogênea e multifatorial que acomete milhões de pessoas. Embora os tratamentos oncológicos tenham melhorado substancialmente nos últimos anos, com o advento de técnicas cirúrgicas aperfeiçoadas, terapias direcionadas contra mutações oncogênicas ou quimioterapia, muitos pacientes apresentam resistência ao tratamento ou, após o tratamento com sucesso do tumor primário, o câncer pode ainda retornar anos ou até mesmo décadas depois em outros órgãos.
Por Daniel Fernandes, Departamento de Farmacologia UFSC
Cabo de guerra é um jogo bastante popular no qual duas equipes competem entre si em um teste de força puxando uma corda. Recentemente foi tema de um episódio da série “Round 6” que mostrou que o cabo de guerra não é um jogo somente de força, mas pode envolver muita tática e estratégia! Curiosamente uma pesquisa mostrou que nossas células podem estar fazendo um verdadeiro cabo de guerra no nosso coração!
Que tal incluir à sua dieta saudável um pouco mais de vegetais, alimentos integrais, frutas e “dispositivos eletrônicos doces”? Muita calma nesta hora, pois esta pode não ser a recomendação de um(a) nutricionista, mas talvez a recomendação médica para auxiliar num diagnóstico ou tratamento médico.
Dispositivos que englobam a área de eletrônica comestível são aqueles que podem ser ingeridos e metabolizados dentro do nosso corpo sem causar danos devido à não toxicidade dos materiais que os compõem. Mas talvez você questione sobre qual seria a necessidade de comer um dispositivo eletrônico?
Por Prof. Dr. Giordano Wosgrau Calloni – Depto de Biologia Celular, Embriologia e Genética, UFSC.
Na terceira parte de um dos maiores filmes da história do cinema norte-americano, o Poderoso Chefão, assistimos ao famoso beijo da morte. Michael Corleone beija violentamente a boca de seu irmão Fredo após descobrir a traição que este cometeu. O beijo era o sinal de que Fredo estava marcado para morrer. Para a máfia, este beijo imposto, de certa forma “roubado”, tem como objetivo sinalizar que a morte do ser beijado foi decretada.
Um beijo similar parece acontecer em escala microscópica no nosso organismo. Cientistas descobriram que existem beijos roubados entre as células que podem levar à morte do organismo em sua batalha contra células tumorais.
Células NK roubam membrana tumoral
Para entendermos o que acontece, precisamos primeiramente falar de um grupo específico de células que circula em nossa corrente sanguínea e que possui um nome que mais parece ter saído de um filme de mafiosos: as Natural Killers, ou abreviadamente, NK, (literalmente assassinas por natureza, ou assassinas naturais). As células NK são um tipo de linfócitos do nosso sistema imune.
Muitos linfócitos são produtores de citocinas, ou seja, de proteínas que, como balas, saem da pistola de um gângster e são lançadas contra outros gangsters. Essas balas, ops, citocinas são lançadas e podem matar tanto células infectadas por vírus, quanto células tumorais. Linfócitos matadores de tumores foram relatados pela primeira vez em 1968, por Hellström e colaboradores. Alguns anos depois, em 1975, Kiessling e colegas, em paralelo com o grupo de pesquisa de Ronald Herberman, definiram uma nova população de linfócitos capazes de atingir células tumorais que foram chamados de Natural Killers (NKs). Portanto, as NKs seriam gângsters que valem a pena termos como aliadas.
Por Dr. Marco Augusto Stimamiglio do Instituto Carlos Chagas – Fiocruz
À medida que a população mundial de idosos aumenta, compreender as disparidades na saúde relacionadas à idade se torna uma tarefa essencial. O envelhecimento do nosso sistema imunológico tem papel crítico na manifestação de doenças e no declínio das condições de saúde relacionadas à idade, como a menor eficiência na recuperação de infecções e no combate a patógenos oportunistas. Mas será que pode haver alguma associação entre o envelhecimento do nosso sistema imune e o estresse social (como discriminação, trauma, estresse crônico) que somos submetidos ao longo de nossas vidas?
É evidente que cada indivíduo tem uma taxa de envelhecimento do seu sistema imune e que fatores como o tabagismo podem acelerar esta taxa, enquanto a prática regular de exercícios físicos pode retardá-la. Em um estudo publicado em junho de 2022 na prestigiada revista PNAS, foram utilizados dados de saúde de mais de 5 mil adultos norte-americanos acima dos 50 anos de idade para revelar a associação entre fatores socioeconômicos ou de estilo de vida e o envelhecimento imunológico acelerado.