O segredo numa gota de sangue…

Por Hélia Neves – Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

Todos nos questionamos qual rumo da Medicina e como esta evoluirá para nos tornarmos indivíduos cada vez mais saudáveis. Uma coisa é certa, desejamos que a Medicina do futuro melhore a capacidade de detectar precocemente as doenças com métodos não-invasivos, e idealmente, que consiga até prevenir/evitar o seu aparecimento. Muitos avanços foram feitos nesse sentido e parece que vamos no bom caminho…

“Os cientistas descobriram que…” é possível detectar precocemente algumas formas de cancro (câncer) utilizando apenas uma gota de sangue… Em agosto deste ano (2017) uma equipe de Investigadores, liderados por V. Velculescu do “Johns Hopkins Kimmel Cancer Center”, publicou na revista Science Translational Medicine (Figura 1), uma nova técnica de análise ao sangue que permite a detecção precoce de algumas formas de cancro (colo-rectal, mama, pulmão e ovário). Continuar lendo →

Qual o seu lugar na “fila do câncer de boca”?

Dr. Filipe Modolo – Dpto. de Patologia, UFSC

Por por meio de um simples exame de raspagem da mucosa (semelhante aos exames de rotina da ginecologia) é possível determinar o risco de câncer de boca nos pacientes portadores de doenças cancerizáveis. Em outras palavras, organizar uma “fila do câncer de boca”

Fonte: blog Bon voyage Harlye

O câncer de boca é uma doença muito relevante no nosso país, principalmente na Região Sul, onde é o sexto câncer mais frequente em homens e o décimo quinto em mulheres[1]. Já foi amplamente divulgado que o fumo, principalmente quando associado ao consumo de álcool, é o principal causador do câncer de boca. Essa notícia está nos meios de comunicação de massa (televisão, rádio, revistas) e até nos maços de cigarros… Continuar lendo →

Quimioterapia: quando menos é mais

Por Bruno Costa da Silva

Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Imagem adaptada, fontes: Metrônomo e Medicamentos.

Apesar das terapias antitumorais serem cada dia mais específicas e menos nocivas aos pacientes, de maneira geral, o início de um tratamento com quimioterápicos ainda está bastante associado com queda de cabelo, náuseas, fadiga, dores e/ou enfraquecimento do sistema imunológico. Além disso, é sabido que a utilização de tais estratégias terapêuticas, que frequentemente se baseiam em pulsos de quimioterapia utilizando as doses mais altas toleráveis pelo paciente, nem sempre resultam na eliminação completa dos tumores e na cura dos pacientes. Um dos motivos é o período de descanso necessário após a administração de doses “cavalares” de medicamento, que em potencial abrem espaço para o crescimento das células tumorais, Continuar lendo →

Nanomateriais, nanomedicina, nanofármacos. Porque tantos cientistas estudam este mundo tão pequeno?

Por Keli Fabiana Seidel                                                                                                               Grupo de pesquisa em Bio-Optoeletrônica Orgânica– UTFPR

keli-imagem-1O desenvolvimento de materiais em escala nanométrica e as descobertas de diferentes aplicações destas “nano-coisas” em nosso cotidiano, provavelmente, vão muito além do que você possa imaginar. Dentre as várias possibilidades de aplicações da nanotecnologia, no texto de hoje vamos focar em aplicações voltadas às áreas biomédicas, através da técnica de tratamento terapêutico Continuar lendo →

Sobre a velhice e os tumores

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                  Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

Dados da Organização das Nações Unidas estimam que a população mundial de pessoas com mais de 60 anos seja superior a 2 bilhões de indivíduos até o ano de 2050. Isso significa que, além de um sistema previdenciário robusto, precisaremos de uma atenção ainda maior aos futuros casos de câncer. Já é sabido que os cânceres são, de maneira geral, doenças de envelhecimento, sendo que quanto mais idosos ficamos maior é o tempo para acumularmos mutações associadas a eles. Continuar lendo →

Os tumores e os “zombies” que vivem no nosso corpo…

Por Hélia Neves                                                                                                                                    Prof. da Faculdade de Medicina de Lisboa – Portugal

Enraizados na nossa cultura popular, quer através de livros, quer mais recentemente através da sua banalização em filmes e séries populares da TV, parece que os zombies vieram para ficar! O zombie é uma figura ficcional cujo estereótipo define-se como uma pessoa morta que foi reanimada e que vive a perambular de forma bizarra, privada de vontade própria… É um morto-vivo! Mas hoje trago-vos um zombie um pouco diferente, bem real e que pode habitar no nosso corpo… Intrigado (a)? Continuar lendo →

Uma vacina para todos os tumores curar?

Por Bruno Costa da Silva                                                                                                  Pesquisador do Champalimaud Centre for the Unknown/Lisboa – Portugal

James Gillray. "A Pústula Bovina ou Os Maravilhosos Efeitos da Nova Inoculação!". 1802.

James Gillray. “A Pústula Bovina ou Os Maravilhosos Efeitos da Nova Inoculação!”. 1802.

Há mais de 200 anos, o naturalista e médico inglês Edward Jenner apresentou a descoberta revolucionária de que a pré-exposição de seres humanos à um vírus (ou a partes desse vírus) pode torná-los mais resistentes a esse mesmo vírus. Desta descoberta, nascem as vacinas. Apesar dessa estratégia ainda não funcionar contra todos os Continuar lendo →